Caso Bruno: Zezé é condenado a 22 anos de prisão, mas deve continuar solto
Justiça permitiu que policial civil aposentado aguarde recurso em liberdade, enquanto a defesa anunciou que deve recorrer da sentença
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou nesta quinta-feira (26/8) José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, a 22 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio em 10 de julho de 2010. 

A sentença também considera o sequestro de Bruninho, filho da modelo com o ex-goleiro Bruno Fernandes.
Apesar disso, o policial civil deve continuar solto. Isso porque a Justiça permitiu que ele responda um eventual recurso em liberdade, e a defesa dele já anunciou que deve recorrer da sentença.
Além disso, segundo o TJMG, Zezé foi absolvido de outras duas acusações: cárcere privado de Eliza e corrupção de menores. 
O julgamento aconteceu no Fórum de Contagem, na Grande BH.
José Lauriano de Assis Filho já havia se aposentado da Polícia Civil quando o crime aconteceu.
Em 2015, o juiz Elexander Camargos Diniz negou a revogação da prisão preventiva de Zezé. Na decisão, o magistrado apontou que diferentes envolvidos no crime confirmaram a presença de José Lauriano na cena do homicídio de Eliza.
Ligações telefônicas interceptadas pelas autoridades também confirmam que Zezé estava envolvido no caso. 
Jorge Luiz Lisboa Rosa, primo de Bruno que ainda era menor à época, “demonstrou ter medo” do ex-policial, segundo a Justiça.
O juiz Elexander Camargos Diniz também ressaltou a possibilidade de Zezé coagir outros envolvidos durante o processo, além da chance de destruição de provas.
O caso Eliza Samudio
Depois de se relacionar com Eliza Samudio em 2009, Bruno Fernandes passou a ser pressionado pela mulher para assumir a paternidade de uma criança.
No mesmo ano, ela prestou queixa contra o jogador na Justiça carioca por agressão e por forçá-la a abortar. 
Em 9 de junho de 2010, a modelo chegou ao sítio do jogador em Esmeraldas, supostamente para resolver a situação.
Após o dia 10, ela não foi mais vista. 
A polícia recebeu uma denúncia anônima em 24 de junho sobre o suposto assassinato, que envolveria outras oito pessoas.
A Justiça decretou a prisão de Bruno, então goleiro do Flamengo, em 6 de julho de 2010. 
O atleta respondeu por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado do filho e ocultação de cadáver, crimes cujas penas somadas variam de 14 a 36 anos de prisão.
Desde então, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, cumpriu parte da pena e teve o benefício do regime domiciliar concedido. 
Ele também tentou o retorno ao futebol por outros clubes, mas nunca conseguiu longa sequência.
Outras condenações
Todos os réus que responderam pelos crimes contra Eliza Samudio e contra filho dela foram condenados, com exceção de Dayane Rodrigues, ex-mulher de Bruno, absolvida das acusações.
A Justiça condenou Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, a cinco anos pelo sequestro e cárcere de Eliza e Bruninho.
Luiz Henrique Romão, o Macarrão, braço direito do ex-ídolo do Flamengo, recebeu setença de 15 anos de prisão por homicídio qualificado. 
Ele foi beneficiado por uma confissão parcial do crime.
O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como executor do assassinato, foi condenado a 22 anos de prisão.