Ex-ministro e presidente do Ibram lutava contra câncer no pâncreas Raul Jungmann morreu neste domingo (18/1), aos 73 anos, em Brasília. El...
Ex-ministro e presidente do Ibram lutava contra câncer no pâncreas
Após deixar a política institucional, passou a atuar no setor privado e presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), função que exercia até o agravamento do quadro de saúde. Reconhecido pela atuação em áreas estratégicas do Estado, Jungmann deixa um legado ligado à gestão pública e ao debate sobre desenvolvimento e segurança no país.

Carreira consolidada na história brasileira
Pernambucano, nascido no Recife em 3 de abril de 1952, Jungmann consolidou-se como um gestor de perfil técnico e articulador político, associado a temas estruturais como reforma agrária, defesa nacional e segurança pública.
A formação acadêmica começou no curso de psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que não chegou a concluir devido ao intenso envolvimento político. Ainda jovem, militou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e participou ativamente da resistência à ditadura e da campanha das Diretas Já. Embora tenha se filiado ao MDB nos anos 1970, legenda que abrigava a oposição ao regime militar, ele consolidou a vida pública como uma das principais lideranças do PPS (hoje Cidadania), partido que ajudou a fundar e dirigir por décadas.
Nos anos 1990, ocupou cargos estratégicos no Executivo, iniciando como secretário de Planejamento de Pernambuco e secretário-executivo do Ministério do Planejamento no governo Itamar Franco. Em 1995, assumiu a presidência do Ibama, onde iniciou a projeção na gestão pública federal.
Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Jungmann ganhou protagonismo nacional ao assumir o Incra e, posteriormente, tornar-se o primeiro titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário (1999-2002). A gestão foi marcada pela condução da reforma agrária em um período de fortes tensões no campo, buscando institucionalizar os assentamentos e mediar conflitos sociais.
Paralelamente, desenvolveu uma carreira legislativa. Elegeu-se deputado federal por Pernambuco em duas legislaturas consecutivas (2003-2010) e exerceu o cargo de vereador no Recife (2012-2014). Em 2015, retornou à Câmara dos Deputados como suplente, assumindo o mandato e destacando-se em comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, além de liderar frentes parlamentares voltadas ao controle de armas e segurança.
Em 2016, retornou ao primeiro escalão do governo federal como Ministro da Defesa de Michel Temer. À frente da pasta, geriu a modernização das Forças Armadas e operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Em 2018, diante da crise de criminalidade no país, foi nomeado para o recém-criado Ministério Extraordinário da Segurança Pública, cargo que ocupou até o final daquela gestão, sendo responsável pela criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
Após deixar a vida político-partidária, Jungmann redirecionou a experiência para o setor institucional e privado. Ocupou o cargo de diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Nesta função, liderou o diálogo do setor mineral com a sociedade, focando em pautas de sustentabilidade, governança ambiental (ESG), licenciamento e a importância estratégica da mineração para a economia brasileira.
Lamento do Ibram
Em nota, o Ibram lamentou a morte de seu diretor-presidente e destacou o desejo de Jungmann por um velório restrito a familiares e amigos próximos. A entidade ressaltou a dedicação do dirigente à democracia, ao diálogo e ao desenvolvimento sustentável, além do fortalecimento institucional do setor sob sua liderança. “competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”.
O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, do qual Jungmann era head do LIDE Mineração, também manifestou pesar. Em comunicado, a organização destacou a contribuição do ex-ministro para o desenvolvimento estratégico da mineração brasileira e seu espírito público, que marcou tanto a política quanto a atuação empresarial.Raul Jungmann deixa um legado associado ao diálogo institucional, à defesa da democracia e à busca por soluções de longo prazo para áreas sensíveis do Estado brasileiro.
Com informações do CB
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