A Câmara Legislativa comemorou o aniversário de 38 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em sessão solene remota na noite desta terça-feira (31), transmitida ao vivo pela TV Web CLDF e pelo portal da Casa no Youtube. O autor da homenagem, deputado Chico Vigilante (PT), lembrou as primeiras reuniões na década de 80 para a fundação da entidade em 28 de agosto de 1983 em São Bernardo do Campo (SP), durante o Primeiro Congresso Nacional da Classe Trabalhadora. “Lutas, mobilização e organização dos trabalhadores” marcaram a entidade desde então, afirmou.

O parlamentar narrou também a criação da CUT Brasília em 1984 e citou, entre as primeiras atividades, a greve “vitoriosa” dos rodoviários em abril de 1985 e a primeira eleição do Sindicato dos Rodoviários. “Foi o desabrochar da democracia numa categoria reprimida”, recordou.

História recente do País

Ex-ministro da Previdência e do Trabalho, Ricardo Berzoini elencou os desafios da CUT na história recente do País, como o de agregar os sindicatos no compromisso de respeito aos direitos dos trabalhadores, e unificar a luta dos trabalhadores do campo e da cidade numa grande força de representação. “Temos a renovação desse desafio, de transformar a CUT numa instituição que de fato tenha raízes na classe trabalhadora a fim de que cada trabalhador reconheça a central não apenas como instrumento de luta, mas também como expressão política não partidária”, esclareceu Berzoini, ao lembrar que só existe classe trabalhadora quando ela se reconhece enquanto classe.

Na avaliação do ex-ministro, reacender a consciência de classe, representar e organizar a luta dos trabalhadores são alguns dos desafios atuais da entidade.

Nesse sentido, a deputada federal Érika Kokay (PT/DF) reforçou que a CUT consolidou o sentimento de pertencimento à classe trabalhadora. Para Kokay, que foi presidente da entidade, aqueles que constroem o País devem poder usufruir de suas riquezas. Ela criticou a retirada de direitos patrocinada pela “necropolítica” do atual governo, a exemplo da PEC da reforma administrativa. “O Brasil precisa da CUT para nos libertar desses grilhões”, acrescentou. 

Do mesmo modo, o presidente do PT-DF, Jacy Afonso, entende que a CUT tem um papel importante na luta contra a política “genocida” do atual governo. Ele defendeu estratégias de discussão dos projetos de governo e atuação sindical voltada aos interesses dos trabalhadores com foco nas próximas eleições. Afonso, que também foi presidente da CUT, reafirmou os princípios de democracia e os compromissos da instituição, e acrescentou que a entidade está fazendo a “transição geracional”, ao parabenizar a atuação do atual presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, e da secretária geral da CUT Brasil, Carmem Foro.

“São 38 anos lutando por democracia, por soberania, por direitos e por liberdade”, afirmou Foro. Ela, que é agricultora familiar no Pará, citou as trabalhadoras do campo que faleceram em virtude das crueldades contra a classe trabalhadora, como Margarida Alves, que inspirou a Marcha das Margaridas. Por sua vez, Rodrigo Rodrigues reforçou a importância de resgatar a história da entidade, rememorar os dirigentes e os processos de construção da CUT. Entre as lutas atuais, ele conclamou os presentes para o protesto contra a PEC da Reforma Administrativa nesta quarta-feira (1º) no Anexo II do Congresso Nacional.

Franci Moraes - Agência CLDF