O suspeito aplicava uma substância, em altas doses, na veia dos pacientes, causando-lhes paradas cardíacas praticamente imediatas. Em um dos...
O suspeito aplicava uma substância, em altas doses, na veia dos pacientes, causando-lhes paradas cardíacas praticamente imediatas. Em um dos casos, como a vítima não morreu em seguida, ele chegou a aplicar mais de 10 doses de desinfetante
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da CHPP, os elementos coletados são bastante robustos no que se refere à intencionalidade do crime. "Temos os vídeos demostrando as ações dessas pessoas e a análise dos prontuários médicos, com tudo o que foi realizado com esses pacientes. Existem elementos convincentes de que o técnico de enfermagem se passou pelo médico, entrou no sistema que estava aberto e fez a prescrição dos medicamentos. Ele foi até a farmácia, preparou a substância e escondeu em seu jaleco, aplicando-os nas veias das vítimas", detalhou.
Dinâmica do crime
O fato de o suspeito tentar reanimar as vítimas após as paradas cardíacas levanta a hipótese de dissimulação diante do restante da equipe médica. "Quando ele aplicou o desinfetante, estava sozinho ou com as duas técnicas de enfermagem. Uma delas não trabalhava no mesmo local, mas era muito amiga do rapaz. A outra profissional era nova no hospital e treinada pelo técnico. Nas filmagens, é possível constatar que elas ficavam na porta olhando para ver se terceiros não entrariam", acrescenta Salomão.
O uso de desinfetante se deu quando o criminoso já não tinha mais acesso aos medicamentos. "Ele pegou o produto que estava no leito e aplicou por mais de dez vezes na veia de uma das pacientes, uma mulher de 75 anos, morta em 17 de novembro". A vítima era professora aposentada e morava em Taguatinga; deixa marido, filhos e netos. Também nesta data, morreu um senhor de 63 anos, servidor da Caesb. No dia 1º de dezembro, faleceu o terceiro paciente, um homem de 33 anos, servidor dos Correios.
A presença de câmeras nos leitos foi fundamental para os suspeitos serem descobertos, visto que as famílias não desconfiavam que os entes haviam sido vítimas de homicídios. O hospital, assim que detectou os crimes, por meio da Comissão de Óbitos, comunicou à polícia. A polícia reforça que ainda não há uma resposta firme sobre a motivação dos crimes.
Existe a possibilidade de outros pacientes terem sido vítimas, tanto neste mesmo hospital, onde o suspeito trabalhou por um ano, quanto em outras instituições, inclusive, públicas. Agora, será feito um levantamento das pessoas que faleceram com as mesmas características destes homicídios. O técnico de enfermagem, que fora demitido do Ancheita e estava trabalhando em uma UTI neonatal de outra instituição particular, confessou os crimes após ser confrontado pelas imagens.
Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que, ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas aos óbitos, instaurou comitê interno de análise e conduziu investigação própria. Com base nas evidências, o hospital requereu a instauração de inquérito policial.
Os técnicos de enfermagem, que atuava no Hospital Anchieta, de Taguatinga, foram presos nos dias 12 e 15 de janeiro. Eles podem responder por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos. As duas técnicas, investigadas por negligência, podem responder por coautoria.
Veja a íntegra da nota:
Nenhum comentário