Em comemoração ao Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, a Câmara Legislativa realizou audiência pública remota, nesta sexta-feira (19), que contou com a participação de representantes da pauta. O deputado Leandro Grass (Rede), que comandou a reunião, destacou a importância da data, que foi criada pelas Nações Unidas (ONU) com o objetivo de dar mais visibilidade às mulheres que criam e comandam seus próprios negócios, além de combater a desigualdade de gênero.

Grass apresentou dados do Distrito Federal, os quais revelam o crescimento do número de mulheres no mundo dos negócios. “Cerca de 36% dos empreendimentos do DF estão sob responsabilidade de mulheres”, afirmou. O distrital também citou pesquisa do Sebrae que aponta 121 mil mulheres líderes de negócios na Capital Federal com maior escolaridade e menor idade em relação aos homens.

Além dos dados, o parlamentar frisou a necessidade de legislações que incentivem mulheres a liderarem atividades econômicas. Em seguida, mencionou a Lei nº 6756/2020, de sua autoria, que “estabelece incentivos para o incremento das atividades econômicas lideradas por mulheres no Distrito Federal”.


De acordo com a empresária Ana Paola Brandão, sócia e proprietária de grandes empresas do DF, o preconceito foi a primeira barreira que ela enfrentou quando teve de assumir cargos de liderança após a morte de seu esposo, em 2017. “O preconceito existe muito, porque as pessoas não me davam o devido valor e não aceitavam que uma mulher que entrasse lá pudesse ter uma voz mais firme com os homens”, declarou. Ana Paola também disse que, em uma das empresas que ela assumiu, os funcionários, em sua maioria em homens, passaram a respeitá-la somente após os resultados que a empresa obteve em sua gestão.

A empresária acredita que falta incentivo com cursos de capacitação profissional voltados para mulheres, além de garra e objetivos a serem alcançados por elas. “Não é fácil, mas com coragem e uma boa meta a gente consegue; eu consegui”, disse.

Já a administradora de empresas e pesquisadora da UnB, Paula Pantoja, vê o preconceito em todas as esferas. “Eu sou empresária, sou empreendedora social, sou acadêmica e percebo que a gente passa por essa situação em todos os espaços”, relatou. Para Pantoja, não basta ter conhecimento e mais capacitação que os homens, como mencionado pelo deputado Leandro Grass. “Parece que você ainda não chegou lá, que você ainda não é suficiente”, completou.

A presidente da Câmara de Mulheres Empreendedoras da Federação do Comércio, Beatriz Guimarães, entende a necessidade de se ter mais homens debatendo sobre o assunto, pois em muitos ambientes, privados ou do poder público, a mulher é minoria. “Nós temos que trazê-los para o debate, pois quando um homem fala para outro homem a sonoridade acontece e a chance de se ter mudanças é maior”, afirmou.

Ao final, Leandro Grass disse que acredita em um empreendedorismo mais feminino e mais inovador, mas, para isso, é necessário estabelecer meios de protagonismo feminino no segmento econômico, seja com a criação de leis, seja com práticas de incentivo para tal.

Warley Júnior (estagiário) - Agência CLDF