A professora Rosilene Silva da Costa, mãe do Artur (um ano e dez meses), apresentou pesquisas realizadas em vários países que demonstram fortes respostas imunes no leite materno, após a vacinação das mães, sem riscos para os lactentes

A Comissão da Vacina da Câmara Legislativa recebeu, em reunião pública remota nesta quinta-feira (24), representantes do movimento “Lactantes pela Vacina” no Distrito Federal. Na ocasião, foi defendida a inclusão dessas mulheres no grupo prioritário da vacinação contra o novo coronavírus no DF, a exemplo do que foi feito em alguns estados e municípios, como Formosa. Esta semana, o GDF começa a vacinar grávidas e puérperas sem comorbidades, mas não incluiu as lactantes, contrariando anúncios anteriores.

A professora Rosilene Silva da Costa, mãe do Artur (um ano e dez meses), apresentou pesquisas realizadas em vários países que demonstram fortes respostas imunes no leite materno, após a vacinação das mães, sem riscos para os lactentes: “Os anticorpos das mães podem proteger os filhos. É a proteção de duas vidas a partir de uma dose”. Ela destacou, ainda, que não são conhecidas as sequelas advindas de contaminações em idades precoces e que bebês com menos de dois anos não devem usar máscaras, sob risco de sufocamento.

Rosilene Costa lamentou que, mesmo após uma nota técnica do Ministério da Saúde ter recomendado a imunização das lactantes, o grupo não tenha sido incluído no Plano Nacional de Imunização (PNI). “Estamos conscientes da limitação quantitativa de doses liberadas e não queremos, de forma alguma, passar na frente de profissionais ou de pessoas com mais idade, mas o Estado e a família são responsáveis pelo bem-estar das crianças”, afirmou, reforçando ser a vacinação de lactantes uma forma de proteger bebês, em especial aqueles de mães em situação de vulnerabilidade, que utilizam o transporte coletivo, entre outras. “É uma luta de mulheres pelas crianças”, concluiu.

No chat da transmissão da reunião, no canal da TV Web CLDF no YouTube, várias espectadoras fizeram coro às reivindicações, dizendo: “Uma vacina protege dois (ou mais)” e “Nos ajudem a proteger nossos filhos”.

O presidente da comissão, deputado Fábio Felix (PSOL), lamentou que o GDF tenha anunciado a vacinação do grupo em duas ocasiões e depois tenha recuado, e assegurou já ter enviado ofício à Secretaria de Saúde pedindo a inclusão das lactantes entre as prioridades. “É possível vacinar, mesmo que de forma gradual, com agendamentos”, opinou o distrital. Felix disse que a comissão vai seguir “pressionando, dialogando com a coordenação do plano distrital de vacinação”.

Denise Caputo - Agência CLDF