Ao todo, o Corpo de Bombeiros foi acionado 7.915 vezes para combate a incêndios na capital. Área consumida pelas chamas é maior dos últimos oito anos.

No ano em que queimadas deixaram um rastro de destruição na Amazônia e no Pantanal, o Distrito Federal também sofreu com os incêndios florestais. Brasília registrou, em 2020, a maior área consumida pelas chamas nos últimos oito anos.

De acordo com dados do Corpo de Bombeiros, o fogo destruiu 27.666,71 hectares de cerrado, entre janeiro e novembro deste ano. O número é o maior desde 2012, quando as chamas atingiram 8.222,04 hectares.

DF teve dias mais quentes da história

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A capital também teve os dias mais quentes da história em 2020 e um período de estiagem que durou 125 dias. Esses fatores impulsionaram os incêndios, que cresceram 71% este ano, em comparação com o ano passado.

Apesar do aumento do total incendiado, o número de ocorrências registradas pelos bombeiros caiu. Este ano, os militares atenderam 7.915 chamados para combater incêndios na capital. Em 2019, foram 10.273 ocorrências dessa natureza, ou seja, houve uma redução de 29,9%.

Fogo em veículos

Em uma das ocorrências atendidas pelos militares, o fogo, que começou na vegetação, atingiu um depósito de veículos da Polícia Civil, localizado em Sobradinho. Cerca de 30 veículos foram consumidos pelas chamas (veja foto abaixo).

Incêndio destrói carros em depósito da Polícia Civil do DF — Foto: Corpo de Bombeiros/Reprodução

Incêndio destrói carros em depósito da Polícia Civil do DF — Foto: Corpo de Bombeiros/Reprodução

Outras ocorrências de incêndio também atingiram espaços como a área de preservação do Palácio do Jaburu e a Floresta Nacional de Brasília.

Ações

Bombeiros do DF foram enviados para combater incêndio no Pantanal — Foto: CBMDF/Divulgação

Bombeiros do DF foram enviados para combater incêndio no Pantanal — Foto: CBMDF/Divulgação

Em 13 de abril, devido às queimadas, o governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou "estado de emergência ambiental", entre abril e novembro deste ano. O decreto previa adoção de medidas necessárias para prevenir e minimizar a ocorrência e os efeitos dos incêndios florestais na capital.

A partir da medida, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos públicos puderam fazer compras emergenciais, sem licitação, para combater as queimadas.

Apesar da situação da capital, o Corpo de Bombeiros do DF também contribuiu no combate a incêndios em outra unidade da federação. Em outubro, 50 militares de Brasília foram enviados ao Mato Grosso do Sul, para ajudar a apagar as queimadas no Pantanal.

Além dos profissionais, a corporação enviou oito veículos e equipamentos para uso na operação. Os militares passaram 16 dias na região e retornaram para a capital.

Saneamento

Subsistema Produtor de Água Bananal, no Distrito Federal  — Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Subsistema Produtor de Água Bananal, no Distrito Federal — Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Em outros setores relacionados ao meio ambiente, o DF se destacou. A capital teve a maior taxa de saneamento básico do país, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil. De acordo com o estudo, 99% da população de Brasília têm água potável e 89%, tratamento de esgoto.

A pesquisa tem como base dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. As informações, no entanto, não consideram as áreas não regularizadas na capital.

Segundo o levantamento, a capital federal é uma das três unidades da federação que apresentam condições de atingir as metas do Plano de Saneamento Básico (Plansab). O documento, de 2013, estabelece patamares mínimos de investimentos necessários para o abastecimento.

Além do DF, o pequeno grupo com avaliação positiva é formado por São Paulo e Paraná. De acordo com os dados do SNIS, o Distrito Federal investiu, entre 2014 e 2018, cerca de R$ 1,2 bilhão em serviços de saneamento.

Abastecimento

Reservatório de Santa Maria, no Distrito Federal, em imagem de arquivo — Foto: TV Globo/Reprodução

Reservatório de Santa Maria, no Distrito Federal, em imagem de arquivo — Foto: TV Globo/Reprodução

Na contrapartida de outras unidades da federação, como Rio de Janeiro e São Paulo, que tiveram municípios atingidos por racionamento de água, o abastecimento em Brasília está acima do esperado pelas autoridades sanitárias.

De acordo com monitoramento da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal, o reservatório do Descoberto, responsável por abastecer cerca de 70% da população da capital, estava com 81,6% da capacidade total até este domingo (27). A estimativa do órgão era de que o nível estivesse em 62%.

A bacia de Santa Maria também está com capacidade acima da média. Segundo a Adasa, 93,2% do reservatório está cheio neste domingo, sendo que o valor de referência para esta data é de 82%.

Reservatório do Descoberto, no DF, chega a 100% da capacidade e transborda
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Reservatório do Descoberto, no DF, chega a 100% da capacidade e transborda

Em janeiro deste ano, o reservatório do Descoberto chegou a transbordar no DF (veja vídeo acima). O de Santa Maria, em fevereiro, também atingiu capacidade máxima. Vale ressaltar, que em 2017, pela primeira vez na história, a capital passou por um racionamento de água, que durou mais de 1 ano.

Para manter os níveis em alta, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) planeja entregar o Sistema Produtor de Corumbá, conhecido como Corumbá IV, no primeiro trimestre do ano que vem. O sistema será responsável por abastecer a capital e municípios de Goiás.

Entretanto, as obras sofrem consecutivos atrasos. Segundo a Caesb, 96% do sistema está pronto. A empresa não informou quando está previsto o início das operações.

Com informações do G1 Brasília