Comemoração tem apresentações de música, dança e teatro até esta sexta-feira (4). Os mais de 20 artistas possuem algum tipo de deficiência

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília
A programação na área externa do Museu da República é gratuita – das 9h às 20h – com limite de 200 pessoas por dia, devido à pandemia do novo coronavírus | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Para comemorar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o Governo do Distrito Federal (GDF) preparou um grande evento cultural que começou nesta quinta (3) e termina nesta sexta-feira (4), com mais de 20 artistas deficientes. Eles fizeram e farão apresentações de música, dança, teatro, entre outros, na área externa do Museu da República. A programação é gratuita – das 9h às 20h – com limite de 200 pessoas por dia, devido à pandemia do novo coronavírus.    

“Estamos celebrando vitórias que tivemos ao longo dos últimos anos com relação à inclusão da pessoa com deficiência. Ainda temos muito o que conquistar, mas estamos no caminho”, destaca a secretária da Pessoa com Deficiência, Rosinha da Adefal. “Além da acessibilidade, também temos direito ao lazer e à cultura e neste evento vamos mostrar as nossas habilidades e capacidades nessa área”, explica. 

Para o titular da pasta de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, o evento representa um reconhecimento dos artistas locais. “Eles são verdadeiros super-heróis. Se superam a cada dia, enfrentam dificuldades diárias. Queremos intensificar esse tipo de ação para dar cada vez mais oportunidades para as pessoas com deficiência”, ressalta. 

O deputado distrital Iolando Almeida também participou da comemoração e destinou emendas parlamentares para a realização do evento. “O dia de hoje significa muito para nós. Muitos aqui enfrentam dificuldades e, no passado, era ainda pior. Porém, a criação da Secretaria da Pessoa com Deficiência foi um grande salto na história do país”, reforça o parlamentar.

Oportunidade

Eu achava que dançar em cima de um palco era uma realidade muito distante da minha, mas o limite está na nossa cabeçaJuliana Lindsen, 34 anos, dançarina e atleta

Juliana Lindsen, 34 anos, participou da primeira apresentação do dia. Ela faz parte de um grupo pioneiro de street dance em cadeira de rodas do Brasil, o Street Cadeirante. Para a dançarina, eventos como esse são essenciais para que as pessoas com deficiência percebam que são capazes de alcançar seus objetivos. “Eu achava que dançar em cima de um palco era uma realidade muito distante da minha, mas o limite está na nossa cabeça”, comenta a estudante de biologia.   

“A dança me despertou a vontade do ‘querer’. É algo que vem de dentro e que me estimula a alcançar todas as minhas metas. Podemos fazer tudo, correr atrás dos nossos sonhos, independente das nossas limitações”, disse Juliana Lindsen, que também é atleta. 

Além de dar espaço, incentivar e valorizar os artistas com deficiência da capital, a ação também da oportunidade de trabalho para eles. Segundo um dos organizadores do evento, João Bosco Novais, são mais de 50 empregos gerados. “Há vários artistas, além daqueles que estão ajudando na organização nesses dois dias. Eles serão pagos por todo serviço prestado e é algo que não acontecia antes”, explica.  


Mesmo com a pandemia da Covid-19 e as consequências que ela trouxe para todos os setores da sociedade, o GDF conseguiu atingir uma importante marca no que se refere ao mercado de trabalho para pessoas com deficiência: entre janeiro e setembro deste ano, 2.326 vagas foram destinadas para esse público em específico, e 604 foram preenchidas, o que corresponde a 25,9% do total.

O resultado expressivo é fruto de uma união entre a Setrab e a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD), que combinaram esforços para potencializar vagas para esse público. A Agência do Trabalhador da Estação 112 Sul do Metrô é a unidade especializada em acolher pessoas com deficiência, por ter 100% de acessibilidade e, também, por contar com a Central de Interpretação de Libras, que auxilia os deficientes auditivos na tradução e interpretação dos atendimentos. 

Segurança e acessibilidade

Nos dois dias, haverá estandes da Central de Interpretação de Libras (CIL) e as Diretorias de Emprego e Renda e de Articulação em Esporte e Lazer da Secretaria da Pessoa com Deficiência. O evento segue todo protocolo de segurança para a prevenção do novo coronavírus, com medição de temperatura e disponibilização do álcool gel.

Toda a estrutura do evento contará com acessibilidade para pessoas com deficiência. Os banheiros químicos são adaptados. Além disso, as apresentações musicais contarão com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Com informações da Agência Brasília