A participação das mulheres liberais na política foi tema de audiência remota nesta quinta-feira (22), promovida pela Procuradoria da Mulher e pela Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo da Câmara Legislativa (CLDF). Idealizadora do evento, a deputada Júlia Lucy (Novo) destacou que, apesar de representarem 52% da população brasileira, as mulheres ocupam apenas 16% dos cargos eletivos. “Precisamos inspirar, treinar e capacitar mulheres líderes para ocuparem seus espaços na política”, afirmou. Ela defendeu união das liberais em busca de maior representação, salientando que a maioria das líderes “são do espectro da esquerda”.

Para Júlia Lucy, o liberal se diferencia por não analisar o mundo das coisas como deveria ser, mas como de fato é. “Temos pessoas com coragem de defender o que realmente pode funcionar em detrimento do mundo dos sonhos”, afirmou. Crítica ao que chama de “assistencialismo”, a distrital explicou que “a forma do liberal pensar no social é dando autonomia para as pessoas e não o tempo todo dando muletas”. Segundo ela, apesar de posições impopulares necessárias, há uma acolhida maior do pensamento liberal: “Às vezes uma voz isolada liberta milhares de vozes não escutadas na sociedade”.

A advogada e assessora da bancada do partido Novo na Câmara dos Deputados, Belle Borges, ressaltou que a representatividade feminina liberal é ainda muito pequena e que é preciso muita união para ampliá-la em 2022. “São pouquíssimas as mulheres eleitas que defendem menos intervenção do Estado na vida privada, que defendem um Estado mais enxuto, mais eficiente, que entregue mais para o cidadão e exija menos”, analisou. Entre as pautas, ela defendeu revisão da legislação sobre laqueadura para dar mais autonomia às mulheres; a licença parental; e o homeschooling (ensino domiciliar).

Para a advogada e assessora parlamentar no Partido Novo na CLDF, Andrea Quadros, é importante que a sociedade não se acomode à atual representatividade política, e que é preciso “dar cara a tapa” e ter união. “Não podermos aceitar a ausência das mulheres na política, principalmente as liberais”. Ela ressaltou que os cidadãos é que precisam decidir sobre a própria vida, e não o Estado. “Eu acredito no empoderamento, na capacitação, na autonomia, mesmo das pessoas com deficiência”, afirmou.

Também militante do partido Novo e advogada, Geusa Santana destacou o compromisso das liberais de defender temas impopulares, mas necessários:
“Temos de ter coragem de desbravar o caminho que apenas nós podemos fazer, porque temos competência, seriedade, responsabilidade e, principalmente, compromisso”. No entanto, para ela, não basta votar em mulheres, mas escolher as mais capacitadas. “Se nós aprendermos a votar em pessoas sérias, competentes, coerentes, responsáveis e honestas, a política deixará de ser essa vergonha que tem nos mostrado todos os dias para ser um braço da sociedade e atuará em favor do povo”.

Para advogada, servidora e ativista política do partido Novo, Maria Rita, “a mulher, quanto mais liberal for, mais produtiva será”. Ela defendeu o apoio feminino mútuo como forma de fortalecer a causa comum: “A gente tem de falar com as mulheres, de cara a cara, que nós podemos mudar o Brasil”. Maria Rita, no entanto, salientou que os desafios das mulheres são maiores e que é preciso superação. “A gente mostra que somos muito mais capazes que os homens, pois, além de fazer nosso trabalho com excelência, a gente cuida da nossa família com excelência”, afirmou.

A advogada Elisabeth Ribeiro defendeu a educação como forma de mudança da mulher na sociedade. Para ela, o horário de funcionamento das creches deve ser até às 22h, a fim de que as mães, além de trabalhar, possam estudar à noite. Para a ativista, as ideias de “socialismo”, “comunismo” ou “divisão igualitária” não funcionam na prática, porque as pessoas são diferentes. “Cada um de nós tem uma aptidão, cada um de nós tem um sonho, você vai pegar e colocar todo mundo numa caixinha e regular por baixo? Não pode, não vai dar certo”, criticou. 

Assessora parlamentar do partido Novo na CLDF e Sommelier, Patrícia Amada relatou que foi preciso investir na própria formação e “se aliar” a pessoas com afinidade intelectual para “romper a bolha” que a sociedade impõe à mulher. “Nós, mulheres liberais, temos essa característica de não aceitar o que a sociedade impõe de ficar estagnada”, ressaltou. Antes de tudo, ela aconselhou, é preciso acreditar em si própria: “Os desafios vão vir e a gente vai ter de continuar lutando, porque quando você acredita, você vence. Para mim, o céu é o limite”.
 Com informações da CLDF