Resumo da notícia

  • No dia em que influenciadores promovem festas, em plena pandemia, o país perde uma de suas grandes damas para o coronavírus
  • Filha de atriz, Nicette criou, junto com Paulo Goulart, uma família dedicada ao teatro e à televisão
  • Atriz foi a primeira Dona Lola, de "Éramos Seis", e se consagrou vivendo Dona Benta, no "Sítio do Pica Pau Amarelo"

Não importa que novela fizesse, Nicette Bruno, com carisma transbordante, ganhava o espectador. Em "Mulheres de Areia" (1993), sua personagem, Juju, arrancava boas risadas. Em "A Vida da Gente" (2011), Iná emocionou a todos ao acompanhar o dilema das netas. O mesmo se aplicou em tramas como "Rainha da Sucata" (1990), "A Próxima Vítima" (1995), e "Órfãos da Terra" (2019), sua última novela inteira. Foi no "Sítio do Pica Pau Amarelo" (2001), no entanto, que a atriz entrou para o imaginário de uma geração inteira. Como Dona Benta, Nicette se tornou a avó que todo o Brasil gostaria de ter.

Aos 87 anos, Nicette foi mais uma vítima do coronavírus no país. Deixa para trás um legado inegável. Filha de uma atriz, deu prosseguimento à vocação artística e criou um verdadeiro clã do teatro brasileiro ao lado do marido, Paulo Goulart (1933-2014). Seus três filhos, Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart seguiram seus passos. A neta, Vanessa Goulart, também.

A artista é mais que uma estrela de novelas. Junto com Fernanda MontenegroTônia Carrero e Nathalia Timberg, modernizou o teatro brasileiro. A jovem, que começou fazer "Romeu e Julieta" aos 15 anos, chegou a fundar a própria companhia de teatro, chamada Teatro Íntimo de Nicette Bruno.

Fez história também na televisão. Foi uma das primeiras a interpretar Dona Lola, em "Éramos Seis", na TV Tupi, em 1977. Neste ano, chegou a fazer uma participação afetiva no remake da trama. Foram mais de quarenta folhetins no currículo. Espiritualista, dedicou parte de sua vida a espalhar mensagens sobre o amor e o perdão. O Brasil adotou Nicette entre suas favoritas e quis fazer parte de sua família.

No dia em que influenciadores, que despontam no mundo da fama, promovem festas em plena pandemia, o país perde uma de suas grandes damas, com uma carreira e legado impecáveis. É preciso saber celebrar as pessoas corretas. É preciso celebrar Nicette Bruno.

Com informações  do UOL