Quando começou a perceber as pernas inchadas e a falta de apetite, o pedreiro Geraldo Rodrigues dos Santos, de 62 anos, não imaginava estar diante de um problema renal grave. Morador de Planaltina, ele procurou uma unidade básica de saúde e passou por exames até receber o diagnóstico que mudaria sua rotina: doença renal crônica
Desde então, há quase 11 anos, precisa fazer hemodiálise três vezes por semana no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). A história dele se repete na vida de milhares de pacientes atendidos pela rede pública do Distrito Federal, que tem ampliado a estrutura de nefrologia para garantir o tratamento.
R$ 9,6 milhões
Investimentos em aquisição de aparelhos para nefrologia, de 2020 a 2026
.De acordo com a subsecretária de Atenção Integral à Saúde da SES-DF, Raquel Mesquita, a ampliação responde ao crescimento de pacientes com doença renal crônica e à necessidade de garantir tratamento contínuo. “Estima-se que em torno de 10% da população mundial têm doença renal crônica em algum estágio”, aponta. “Nós temos quase 30 mil pessoas no DF vivendo com essas condições e cerca de 3.600 pessoas que necessitam de tratamento de diálise. Vendo esses números e a sobrecarga, a Secretaria de Saúde vem atuando e trabalhando para ampliar o sistema”.
Rotina de tratamento
A hemodiálise é indicada quando os rins não conseguem mais filtrar o sangue adequadamente (geralmente com função renal abaixo de 15% ou em insuficiência aguda), resultando no acúmulo tóxico de resíduos e líquidos. Os principais sintomas dessa condição incluem náuseas ou vômitos intensos, fadiga extrema, inchaço nos pés, pernas ou rosto, falta de ar, coceira intensa, confusão mental e cãibras.
No Hospital Regional de Sobradinho, pacientes participam de sessões que duram cerca de quatro horas, geralmente três vezes por semana. A enfermeira Margarida Matsumoto explica que o tratamento exige disciplina e mudanças na rotina. “É um paciente que precisa vir à unidade para diálise, fazer restrição de água, escolher determinados tipos de alimentos e seguir várias orientações; não é uma vida fácil, mas são pessoas resilientes”, relata.
Em média, o custo de uma sessão de hemodiálise na rede particular do DF pode ficar acima de R$ 300. O valor seria inacessível a pacientes como Geraldo, que também utiliza um transporte gratuito disponibilizado pelo GDF para as sessões. Quando iniciou o tratamento na rede pública, mesmo com medo, ele conta ter sido bem-amparado pela equipe do Hospital Regional de Sobradinho.
“Quando disseram o que eu tinha que enfrentar, o negócio pesou”, conta Geraldo. “As pernas balançaram.” Apesar das dificuldades e das limitações impostas pelo tratamento, ele reconhece que o atendimento recebido na unidade e a chegada de novos equipamentos trouxeram melhorias para a rotina. “Com as novas máquinas, melhorou 100%. Antes dava problema, às vezes tinha que esperar, remarcar. Melhorou bastante, e a equipe cuida bem direitinho da gente. Não tenho do que reclamar.”
Além da hemodiálise, a rede pública também oferece a diálise peritoneal, modalidade que pode ser feita em casa e amplia a autonomia dos pacientes que convivem com a doença renal crônica. No DF, cerca de 25% dos pacientes em diálise utilizam esse método, percentual superior à média nacional. A SES-DF também auxilia pessoas que desejam viajar para outras unidades da Federação, fazendo a interligação com unidades do SUS que possam receber o paciente e fazer a hemodiálise para manter a rotina de tratamento.
Com informações da Agência Brasília
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