Megaoperação Império cumpriu 110 mandados e bloqueou R$ 15,9 milhões ligados a crimes cometidos em quatro estados
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| Divulgação/PCDF |
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (3), a Megaoperação Império, que resultou na desarticulação de uma organização criminosa interestadual especializada no furto qualificado de caminhonetes de luxo. A ação foi conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) e teve alvos nos estados do Ceará, Goiás, DF e Rio de Janeiro. O grupo tinha como principal foco os modelos Toyota Hilux e SW4.
Ao todo, foram cumpridos 110 mandados judiciais expedidos pelo Poder Judiciário, sendo 20 de prisão preventiva, 23 de prisão temporária, 49 de busca e apreensão e 18 de sequestro cautelar de bens móveis, imóveis, valores e ativos financeiros. O bloqueio patrimonial alcançou R$ 15,9 milhões, valor equivalente ao prejuízo causado pelas 53 caminhonetes furtadas entre janeiro e dezembro de 2025.
Além das prisões e das buscas estratégicas, a operação teve como objetivo atingir o núcleo financeiro da organização criminosa, com a restrição patrimonial dos principais integrantes do grupo. Entre os alvos estão três líderes responsáveis pela coordenação das ações ilícitas e pela gestão logística dos núcleos regionais.
As investigações apontaram a prática de furto qualificado de veículos, crime cuja pena máxima pode chegar a oito anos de reclusão, conforme o Código Penal. Também foi imputado o crime de organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013, diante da existência de uma estrutura estável, hierarquizada e voltada de forma permanente à prática criminosa.
Durante a apuração, a PCDF identificou ainda indícios de lavagem de dinheiro, com a utilização de recursos provenientes dos furtos e sua reinserção no circuito econômico formal. Nesse caso, a pena pode ultrapassar dez anos de reclusão, especialmente quando caracterizada a atuação reiterada por meio de organização criminosa. Também foi constatada a adulteração sistemática dos sinais identificadores dos veículos subtraídos, conduta tipificada no artigo 311 do Código Penal.
As investigações, realizadas ao longo de 11 meses, revelaram um alto grau de organização e divisão de tarefas entre os integrantes, com modus operandi padronizado. Os veículos furtados eram previamente encomendados e destinados principalmente a dois fins: desmanche e comercialização ilegal de peças, inclusive por meio de plataformas digitais, e envio para regiões de fronteira com a Bolívia e o Paraguai, onde parte dos automóveis era trocada por drogas destinadas ao mercado ilegal brasileiro.
A PCDF já havia desmantelado esquemas semelhantes em anos anteriores. Em 2023, uma operação da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) resultou na prisão de integrantes responsáveis pelo furto de 22 caminhonetes Toyota em diversas regiões do DF. Em fevereiro de 2025, a Megaoperação Sakichi também desarticulou uma organização criminosa interestadual especializada na subtração de caminhonetes de luxo, com 33 pessoas presas após a recuperação e apuração de 29 furtos em cidades do DF e de Goiás.

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