Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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Miss DF faz sucesso nas passarelas sem perder raízes africanas

Publicada em 07/11/19 às 06:21h - 26 visualizações

por Portal de Comunicação do Onildo Alves


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 (Foto: Portal de Comunicação do Onildo Alves )

A hoje psicóloga Amanda Balbino fez sucesso nas passarelas como a miss DF sem perder as raízes africanas

Amanda Balbino gosta de acessórios, samba e cores fortes, que destacam a pele negra. Do Rio de Janeiro, onde nasceu, trouxe a energia e alegria contagiante. De Brasília, aprendeu, segundo ela, a carregar a calma e a tranquilidade da cidade que virou casa. Mas não é apenas essa relação que Amanda tem com a capital federal. Em 2015, ela foi a primeira modelo negra a ganhar o Miss DF. Hoje, aos 25 anos, formada em psicologia, Amanda quer ser um exemplo de representatividade para outras meninas que desejam ultrapassar os obstáculos e vencer os preconceitos dentro da moda que, por anos, omitiu pessoas negras.

Entrar para o mundo da moda nunca foi um sonho de criança, mas, aos 11 anos, Amanda tentou pela primeira vez. Tinha todos os atributos físicos esperados por alguém que quer desfilar em uma passarela e ainda era alta para sua idade. “Mas eles disseram que eu tinha que alisar o cabelo, afinar o nariz e emagrecer no quadril. Essas são todas as características de pessoas negras”, queixou-se.

Nessa mesma idade, ela chegou a fazer dietas para tentar emagrecer, mas logo abandonou o projeto de carreira. “O pessoal da agência sempre dizia que poderia estar em todos os lugares, vendo se nós (modelos) estávamos comendo direito ou não. Hoje, como psicóloga, eu vejo que poderia desenvolver algum tipo de pânico”, disse.
Apesar de nunca ter sido um sonho, Amanda sempre levou a vida de modelo como hobby. No ensino médio, participou por três anos consecutivos de competições de desfiles realizados pela escola onde estudava. No terceiro ano, ganhou. Mas foi apenas quando decidiu cursar psicologia na Universidade Brasília (UnB) que a estudante começou a ter uma nova relação com o próprio corpo, história e beleza: ela se entendeu como uma mulher negra. Por ter crescido dentro de espaços em que pessoas de pele branca são maioria, Amanda nunca tinha tido contato até então com tantas outras mulheres negras. “Foi quando eu me entendi: sou como essas pessoas, ou pelo menos parecidas com elas, foi quando comecei a me sentir mais à vontade”, disse.

Rainha

Foi apenas em 2014 que a moda deixou de ser um hobby para se tornar um trabalho, quando lançou um concurso de beleza em Brasília para premiar a Rainha do Futebol — título concedido a mais bela jovem da capital, durante a Copa do Mundo de Futebol que ocorria no país. Ela não se tornou rainha, mas tornou-se princesa — ganhou o segundo lugar.

No ano seguinte soube da seleção do Miss DF. Competiu pela região do Núcleo Bandeirante, apesar de morar na Asa Norte, e também ganhou a segunda colocação. Mas, a desistência da primeira colocada colocou Amanda na disputa para a competição regional. “Eu passei a ir aos eventos e sempre via meninas negras competindo. E percebi que sempre quem ganhava nas cidades eram meninas brancas. E eu comecei a entender que era um concurso que tinha um estereótipo, uma ideia formada de miss, por causa de uma cultura”, contou.

Além disso, as exigências pareciam não se ajustarem: “Era como se a estética do concurso não nos coubesse. Se a mulher tinha um quadril mais avantajado, talvez não se encaixasse. E essa é uma característica que algumas mulheres negras têm”, disse. Das 23 meninas competindo naquele ano, apenas duas eram negras. E o pouco espaço não ocorria apenas nas passarelas, mas também na produção. Em uma competição, Amanda relembra, uma das empresas de maquiagem não tinha base da cor da sua pele. “E aí eu comecei a puxar a bandeira da negritude”.

Do Miss DF, Amanda nunca imaginou que poderia ser a escolhida. “Não é que eu não me sentia bela o suficiente. Mas achei que o concurso não ia olhar para nossa beleza e reconhecê-la”, disse. Como não acreditava em uma possível vitória, Amanda levou a competição com o coração e mente tranquilos. Chegou ao top 15, e depois aos top 10. Passou para o top cinco, e depois ao top três. “Quando cheguei ao top três, disse para mim: ‘Uai, vou ficar em terceiro lugar, que vitória’. Mas chamaram a terceira colocada, e depois anunciaram que a Miss DF era do Núcleo Bandeirante. E eu pensei: ‘O quê? Me escolheram?”, lembra, ainda emocionada. “Eu tive a sensação que não fiz sozinha. Não era a Amanda, era uma conquista plural. Foi muito simbólico”, acrescentou.

Eventos

O reinado de um ano teve que se adaptar ao novo: maquiagem para pele negra, produtos não clareadores, cabeleireiros que trabalhavam com cachos. Amanda foi a eventos, fez ensaios remetendo à cultura afro, usou turbantes. Quando competiu pelo Miss Brasil, ainda encarou o cenário pouco democrático: era a única negra competindo, em um Brasil tão diverso. “Não que mulheres brancas não tenham que ter a vez delas. Mas, são anos e anos em que a mulher negra não chega nesses patamares. Então, eu comecei a falar sobre isso. Não de forma agressiva, mas comecei a colocar essa questão em pauta”, disse.
A discussão deu frutos: nos dois anos seguintes, em 2016 e 2017, as duas misses Brasil foram negras. “Meus amigos e familiares começaram a dizer que eu abri portas. Como se eles (os organizadores) tivessem me ouvido. Se eu pude contribuir, fico feliz. Meu objetivo era mostrar que a gente pode. Não era um sonho individual, era uma conquista coletiva”, completou.

Hoje, Amanda continua trabalhando como modelo e abrindo espaços para que outras meninas negras se identifiquem com ela — da mesma forma como ela se identificou com outras ao longo dos anos. Ela chegou a morar no Rio de Janeiro e em São Paulo, depois do Miss Brasil, para modelar, mas decidiu voltar para a capital federal em busca de terminar outra paixão: a graduação em psicologia. “Ser uma mulher negra, hoje, sobretudo, é também se reconhecer nesse lugar. Você tem que se conhecer de novo”, disse. Hoje, apesar de a moda continuar como um caminho, Amanda, ao lembrar os dias passados, tem o hábito de agradecer pela oportunidade. “E espero não parar por aí. Não é ter esse título e achar que ‘zerei’ com a vida e não tem mais nada para fazer. Tomara que essa seja apenas uma das grandes conquistas que eu tive. E que sempre tenham outras maiores”.

Especial

Para marcar o Mês da Consciência Negra, a série Histórias de consciência é publicada ao longo de novembro e presta homenagem a mulheres e homens negros que ajudam a construir uma Brasília justa, tolerante e plural. Todos os perfis deste especial e outras matérias sobre o tema podem ser lidos 
Fonte:CB



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