Centros Interescolares de Línguas da rede pública do DF levam jovens a trajetórias de sucesso ao oferecerem habilidade em língua estrangeira

O sonho encheu a noite, extravasou pro meu dia, encheu minha vida….”. Os versos da premiada poeta mineira Adélia Prado se encaixam na trajetória do jovem Felipi Alisson de Sousa, 19 anos, para realizar um sonho. Depois de um ano atípico e, ainda assim, de imensa dedicação, o estudante saiu da rede pública distrital de ensino para ser aprovado na Stetson University, na Flórida (EUA) para os cursos de Economia e Astrofísica.

A conquista alcançada por Felipi é um dos casos de sucesso no exterior registrados entre os alunos de 17 Centros Interescolares de Línguas, os CILs do DF, que enriquecem a careira acadêmica e profissional de milhares de estudantes. Ele foi aprovado em dezembro, e em janeiro conseguiu bolsa de estudos na mesma universidade.

Não sabe, porém, se vai estudar lá porque aguarda o resultado de outros seis exames a que se submeteu nos Estados Unidos. Além disso, avalia opções que surgiram com a aprovação no Brasil em três universidades — as federais do Rio de Janeiro e de Goiás e a Católica de Brasília.

Sonho

“Meu ingresso no Centro Interescolar de Línguas (CIL) do Guará nasceu da vontade em participar de um intercâmbio. No entanto, fazer graduação nos Estados Unidos parecia um sonho inatingível”, conta.

O sonho não se tornou realidade da noite para o dia. Além de cursar o ensino médio no Centro Educacional (CED) 01 do Guará, houve uma época em que o jovem se dividia entre as aulas regulares do Centro, o trabalho e um curso técnico noturno, além das aulas de línguas no CIL do Guará, onde, além de inglês, fez ainda o curso de espanhol.

“Houve momentos decisivos, como a minha ida ao Japão por meio de um programa”, lembra Felipe, referind0-se a uma experiência no exterior alcançada em 2019 pelo sucesso de vaquinha on-line que fez para arrecadar recursos às despesas com passagens aéreas, passaporte e visto. “Nessa época, a ajuda da professora Rose, do CILG, contribuiu para minha aprovação”, relata o estudante. “Na escola pública os professores têm mais empatia porque conhecem a comunidade”, elogia.

“Sou filho de um pedreiro incrível e de uma dona de casa muito guerreira, cresci em uma das periferias do DF e agora eu estou prestes a, se você me ajudar, desembarcar no Japão”, destacou em vídeo divulgado para conseguir doações.

Jovem embaixador

Posteriormente, Felipi foi aprovado no Programa Jovens Embaixadores. A iniciativa, coordenada pela Embaixada dos Estados Unidos, seleciona estudantes de escolas públicas de todo o Brasil para um intercâmbio de três semanas nos Estados Unidos. “Viajei em janeiro de 2020, junto com outros estudantes, e descobri a possibilidade de fazer a graduação no exterior”, explica.

A jornada do estudante egresso de escola públicas rumo à universidade norte-americana e a importância em aprender outro idioma são o tema do podcast desta semana do canal EducaDF, disponível nas plataformas de áudio.

Inscrições para os CILs

Semestralmente, os alunos interessados fazem a inscrição e aguardam o resultado do sorteio eletrônico. Os CILs oferecem quatro línguas: inglês, espanhol, francês e japonês. Além dos alunos da rede, a iniciativa destina as vagas remanescentes aos interessados da comunidade em geral. O período para inscrições à comunidade será entre os dias 4 a 8 de março, no site da pasta.

Assim como Felipi, a história da professora Ionária Araújo também começou com o desejo de aprender um idioma. “Fiz espanhol no CIL do Gama, e essa experiência me possibilitou novas perspectivas. Ao ingressar na faculdade, optei por cursar Letras e Espanhol, fui aprovada no concurso da Secretaria de Educação e passei a lecionar. Mais tarde, o idioma me ajudou novamente na seleção para o mestrado em Psicologia. Como mestra, participei de um novo certame e hoje trabalho como orientadora educacional na rede pública.”

Família que aprende unida

Segundo o analista judiciário Angelo Filho, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. sediado em Brasília, seu interesse em aprender um idioma no CIL de Ceilândia partiu da constatação de que o curso era diferenciado. “Muita gente comentava sobre a excelência do trabalho realizado. Ao concluir o curso, fui aprovado no concurso do Ministério das Relações Exteriores. Como servidor, viajei para outros países, inclusive com a comitiva presidencial”, diz. A jornada de sucesso de Angelo inspirou os sobrinhos. “Dois já concluíram o curso de inglês, outra se formou em espanhol e a quarta, estuda inglês no CIL de Taguatinga”, comemora.

Com informações da Secretaria de Educação